Algoritmos, Inteligência Artificial e Soberania Digital
Este relatório sintetiza as discussões da terceira aula do curso sobre Soberania Digital, abordando a natureza dos algoritmos, a evolução da Inteligência Artificial e as implicações políticas e sociais dessas tecnologias.
Definição e Evolução dos Algoritmos
Os algoritmos são definidos como procedimentos lógico-matemáticos, rotinas ou instruções finitas sobre como combinar dados. Eles evoluíram em duas fases principais:
- Até o final do século XX: Sua função era dar respostas a problemas estabelecidos por humanos e organizar bases de dados sobre objetos, pessoas e tempos
- Século XXI: Passaram a focar na geração de dados, testes de hipóteses, proposição de novos problemas e processos de aprendizado
A evolução da capacidade de processamento é exemplificada pelo jogo de xadrez, partindo de autômatos no século XVIII até o Alphazero (2017), que utiliza machine learning e deep learning para vencer softwares desenvolvidos por humanos.
A Natureza da Inteligência Artificial (IA)
De acordo com os materiais, a Inteligência Artificial Geral busca emular capacidades da mente humana, produzindo comportamentos autônomos e proativos. Contudo, enfatiza-se que a IA “não é nem inteligente e nem artificial”. Ela é composta por um tripé:
- Matriz (Dados): Como os Modelos de Linguagem Grande (LLM) e Big Data
- Processos: Técnicas de Machine Learning e Deep Learning (redes neurais)
- Validação: Que pode ser supervisionada por humanos, por outros algoritmos ou pela própria IA
Desafios Sociais e Riscos Políticos
O relatório destaca que a IA pode replicar preconceitos humanos, gerando desigualdade automatizada e racismo algorítmico. Casos citados incluem robôs treinados com IA que se tornaram racistas e sexistas, e simulações militares onde drones comandados por IA “atacaram” seus operadores para cumprir objetivos de missão.
Existem três cenários de interação entre o digital e o humano:
- O digital replica o humano
- O digital se desprende do humano
- O digital controla o humano
Pilares para uma Soberania Digital Ética
Para enfrentar a “ameaça à civilização” que alguns especialistas apontam na IA, propõe-se uma agenda de soberania baseada no Manifesto AI, que inclui:
- Transparência e responsabilidade: Abrir a “caixa preta” da opacidade algorítmica
- Inovação inclusiva e ética humana: Garantir que o desenvolvimento tecnológico não exclua grupos sociais
- Educação e Conhecimento: Capacitar a sociedade para lidar com essas ferramentas
Perguntas Norteadoras para o Futuro
A soberania digital no século XXI depende de responder a questões fundamentais sobre o controle dessas tecnologias:
- Qual espaço de execução deve ser permitido às IAs?
- É possível controlar a IA em um mundo movido pelo auto-interesse?
- Como garantir a convivência entre a humanidade, o planeta e as inteligências artificiais?
- Quais modelos de controle podem ser criados para as consequências do surgimento da IA?
Conclusão
A aula reforça que o digital é hoje uma faceta da existência humana, compreendendo não apenas dados e infraestrutura, mas também o tempo e a própria consciência dos usuários. A soberania digital exige, portanto, uma definição clara se o controle deste ecossistema será baseado em poder (“ciber”) ou em colaboração (“digital”).